Grammy: Adele principal vencedora e protesto contra Trump marcaram a gala

segunda, 13 fevereiro 2017 06:16 Escrito por 
Grammy: Adele principal vencedora e protesto contra Trump marcaram a gala Reuters / Lucy Nicholson

Adele foi a principal vencedora dos Grammy 2017, vencendo as três principais categorias da noite: melhor música e gravação, com "Hello", e álbum do ano, com "25".

A cantora inglesa apresentou-se duas vezes: abrindo a cerimónia com a música premiada e numa homenagem a George Michael, com "Fast love". Na segunda parte, enganou-se e pediu para começar a música de novo.

A gala de entrega dos Grammy aconteceu no Staples Center, em Los Angeles, sendo apresentada por James Corden, conhecido pelo número de televisão "Carpool Karaoke". O estreante deu mais leveza e renovou a cerimónia, após cinco anos seguidos comandados por LL Cool J.

No começo da apresentação, Adele, que parecia muito emocionada e fora de tom em alguns versos, pediu para começar de novo e ainda soltou um palavrão. “Sinto muito por começar de novo. Podemos começar de novo? Desculpe, não posso f... tudo por ele" (George Michael), no final foi muito aplaudida.

A principal concorrente de Adele nas principais categorias era Beyoncé, que venceu na categoria de melhor videoclip, por "Formation" e de melhor álbum urbano contemporâneo, por "Lemonade". Beyoncé também cantou um medley de músicas de "Lemonade". A sua filha, Blue Ivy, estragou a intervenção de James Corden , ao entrar em palco quando o apresentador chamou vários artistas para cantar com ele uma versão de "Carpool Karaoke".

David Bowie: vencedor após a morte

David Bowie, falecido no início de 2016, ganhou, de maneira póstuma, os primeiros Grammy da sua carreira.

O cantor ganhou nas categorias de melhor actuação rock, melhor álbum de música alternativa, melhor design de capa de disco (partilhado com o director artístico Jonathan Barnbrook) e melhor álbum de música clássica (em conjunto com Tom Elmhirst, Kevin Killen, Tony Visconti e Joe LaPorta), todos pelo seu último disco, "Blackstar".

Lady Gaga com Metallica e outros concertos

Além do reinício de Adele, outra falha na entrega do Grammy foi o microfone de James Hetfield, dos Metallica. Falhou durante o dueto da banda de heavy metal com Lady Gaga, quando cantaram a música "Moth to the flame", do álbum mais recente do grupo, "Hardwired to self-destruct". James acabou cantando de rosto colado com a cantora para aproveitar o seu microfone durante grande parte do tema.

Katy Perry estreou a música "Chained to the rhythm", com teor político. Bruno Mars, além da apresentação solo, participou no espectáculo dedicado a Prince, a segunda homenagem póstuma da gala. Os Daft Punk regressaram após sete anos de interregno, para mostrar a parceria com The Weeknd, "Starboy". A dupla luso-francesa teve um cenário que lembrava geleiras com um objecto luminoso nas mãos e tocaram em duas mesas de som que mais pareciam comandos de naves.

Apesar de algumas citações a Donald Trump por James Corden, o espectáculo de Tribe Called Quest, Busta Rhymes e Anderson contou com palavras dedicadas a Donal Trump. "Gostaríamos de dizer a todas as pessoas à do mundo que rejeitam quem está no poder a representá-las, nós representamos-vos", disse Q-Tip.

"Só quero agradecer ao 'President Agent Orange' - em referência ao uso de uma herbicida perigosa usada na Guerra do Vietnam - por perpetuar todo o mal que tem perpetuado nos Estados Unidos. Quero agradecer ao 'President Agent Orange' por sua infrutífera tentativa da proibição muçulmana", disse Busta Rhymes, outro cantor que se juntou à banda, em tom irónico.

O grupo, então, atravessou um muro improvisado - em alusão ao que Trump espera construir - antes que pessoas de várias nacionalidades subissem ao palco e formassem uma linha. "Todos os negros devem ir. Todos os mexicanos devem ir", cantou o grupo em tom de protesto.

Modificado em segunda, 13 fevereiro 2017 07:33