"Encontrar o sol" de Edward Albee chegou a Braga

quarta, 01 março 2017 00:30 Escrito por 
"Encontrar o sol" de Edward Albee chegou a Braga D.R.

Com encenação de Ricardo Neves-Neves sobe ao palco do Theatro Circo de Braga a 03 deMarço, a peça de Albee, de 1983, “Encontrar o sol”.



Aberto o pano temos uma praia, espreguiçadeiras colocadas no areal e assistimos à chegada de um grupo de veraneantes que pensamos serem conhecidos, até mesmo familiares.

Depois de algumas palavras trocadas, concluímos que afinal não nos enganámos. Daniel e Benjamim foram namorados e agora estão casados com mulheres.
As respectivas esposas cientes da situação têm reacções diferentes. A mulher de Daniel aceita a situação porque segundo ela “assim não me engana com outra mulher”. Mas a mulher de Benjamim, Abigail, considera a situação insustentável.
E a acção vai decorrendo, sempre sob tensão, mas sem se descortinar realmente o porquê de toda a trama.
Para já há um aspecto que atravessa toda a peça.
A homossexualidade é um tema de transversal nesta peça, mas um tema de superfície”, disse o encenador Ricardo Neves-Neves, em conversa com o Jornal Hardmusica, depois do ensaio. E continuou“Também não é um tema secundário, mas acho que depois de vermos a peça o que fica é uma história de incompatibilidade entre pessoas, incompatibilidade amorosa e de pele. Ora, isso não acontece apenas entre homossexuais, pode acontecer com todas as pessoas.”

“Encontrar o Sol”, com um espectáculo único a 03 de Março,no Theatro Circo de Braga, é um texto escrito em 1983 por Edward Albee (1928-2016), o autor da peça “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”. É uma produção do Teatro do Eléctrico, formado em 2008. É a primeira representação da peça em Portugal.

Numa vontade de classificar a peça, Ricardo Neves-Neves diz “Se tivesse de pôr uma etiqueta no texto, diria que é uma tragicomédia”, talvez com uma linguagem “um pouco diferente” daquilo a que está habituado.
Enceno mais peças com vertente musical forte, trabalho muito a farsa, a comédia, o boneco. Nunca trabalhei realismo enquanto encenador e nunca escrevi realismo, e esta peça talvez seja realismo”, disse. “Mas também acho que o Albee dá espaço para construirmos uma realidade paralela ao realismo. De certa maneira o surrealismo ou o absurdo cabem nesta peça.”

A tradução é de João Paulo Esteves da Silva e a linguagem utilizada é de extrema actualidade o que facilita a sua compreensão..