Ensemble Polyphõnos estreia na passagem do Terras sem Sombra por Odemira

sexta, 24 fevereiro 2017 12:31 Escrito por 
Ensemble Polyphõnos estreia na passagem do Terras sem Sombra por Odemira D.R.

Depois de Aljustrel, Terras sem Sombra vai até ao Rio Mira, examinar os seus segredos, levando a música do Ensemble Polyphõnos a Odemira

O Terras sem Sombra parte agora à descoberta, em Odemira, dos segredos do rio Mira, com especial incidência nos habitats das lontras, que aí encontram um santuário, e para as pradarias marinhas, e apresentando o concerto de estreia do ensemble Polyphōnos.

Para o efeito abrem-se as portas da igreja da Misericórdia e de outros monumentos e sítios de referência, para uma visita guiada nos dias 04 e 05 de Março.

O Festival Terras sem Sombra é um festival “sui generis” pois tem “a particularidade de associar a cada concerto uma acção de voluntariado para a salvaguarda da biodiversidade dos diversos concelhos que o Terras percorre, a qual a qual acontece aos domingos de manhã, congregando músicos, espectadores, membros das comunidades locais, autarcas e técnicos. E, também, uma visita, na tarde de sábado, à vila de Odemira, o que representa uma magnífica oportunidade para conhecer o património edificado mais representativo do Baixo Alentejo.”, lê-se na nota de imprensa.


Neste segundo fim-de-semana da 13.ª edição do Terras sem Sombra haverá pelas 14:30 do dia 04, uma visita guiada ao património do centro histórico de Odemira, onde é dada a oportunidade de se conhecer, entre outros valores patrimoniais ainda pouco conhecidos do público, a surpreendente igreja da Misericórdia, que possui extraordinárias pinturas murais. A orientação é dos historiadores António Martins Quaresma e José António Falcão.

Pelas 21:30 desse mesmo dia, Polyphōnos, o ensemble recentemente fundado pela soprano Raquel Alão e cuja direcção artística se encontra a cargo do barítono e musicólogo José Bruto da Costa, tem a sua estreia marcada para Odemira.
“Polyphōnos é um termo grego que designa a coexistência de muitos sons ou vozes, o que se revela muito apropriado a um agrupamento vocal e instrumental de excelência no campo da música antiga, que se propõe resgatar da sombra reportórios nacionais que são escassamente ouvidos entre nós.”, explica a nota de imprensa.


Para o concerto na igreja de São Salvador, o ensemble inclinou-se para a música portuguesa de invocação mariana dos séculos XVI, XVII e XVIII, com autores da craveira de Estêvão de Brito, Duarte Lobo, D. Pedro da Esperança, Diogo Dias Melgás, João Rodrigues Esteves ou Francisco António de Almeida. Alguns são naturais do Baixo Alentejo: por exemplo, Brito nasceu em Serpa, por volta de 1570, e Diogo Dias Melgás em Cuba, em 1638. Trata-se, pois, de uma espécie de “regresso” às origens, fazendo justiça ao grande destaque alcançado pela música no Alentejo durante esses períodos.

A manhã de domingo deste fim de semana do Terras sem Sombra contará com uma viagem a bordo de barcos, pelos meandros do Mira, propondo um olhar renovado sobre os “gradientes” do grande rio do Sudoeste. Tal como o Sado, o Mira tem a particularidade de seguir um curso de sul para norte. Nascendo na serra do Mú, percorre cerca de 150 km, ao longo dos quais se podem encontrar habitats muito distintos.

É precisamente no troço inferior do rio, já próximo do estuário, que se localizam algumas das características únicas deste curso de água: as pradarias marinhas e uma população de lontra peculiar muito. As pradarias marinhas representam alguns dos habitats mais ameaçados a nível mundial.

Ao longo de um percurso de barco, serão reconhecidos, os pontos mais relevantes deste rio, que se caracterizam pela sua espectacular cenografia, e analisadas as principais ameaças que se fazem sentir sobre eles. A iniciativa, organizada com a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e da Câmara Municipal de Odemira, conta com a presença de investigadores das universidades de Lisboa e Algarve.

De entrada livre, o Festival é organizado pela Pedra Angular (Associação dos Amigos do Património da Diocese de Beja) e pelo Departamento do Património desta Diocese, prolongando-se até 02 de Julho, seguindo para Ferreira do Alentejo, Santiago do Cacém, Castro Verde, Serpa, Sines e Beja, sob o título Do Espiritual na Arte Identidades e Práticas Musicais na Europa dos Séculos XVI-XX.

Um hino ao Baixo Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta cultural.”, termina a nota de imprensa