O Espaço do Povo, podia ser mais um bar situado no Caís do Sodré,mas serviu de palco para dar voz ao que de melhor o povo português sabe fazer : Poesia.
“Somos um país de poetas”, começou José Anjos explicando o que iria acontecer ao longo da primeira de muitas noites que ai vêem.
Expondo a necessidade de se criar espaços dedicados à poesia e à palavra e de se fazer encontrar a tradição da poesia escrita e dita, bem como revelar o talento escondido por Lisboa, surge esta iniciativa.
Uma noite que teve uma grande proximidade e que foi enriquecida com a fusão de outras formas de arte, para que se possam enaltecer uma a outra.
João Penedo, Ricardo Parreira e Miguel Gonçalves,foram os músicos que acompanharam a poesia ao som do violoncelo, baixo e guitarra.A abertura coube a José Anjos que passou a palavra a André Gago.
A ligação entre a palavra e a música foram fruto do momento, André Gago deu voz a “Anos quarenta os meus” de Luísa Neto Jorge, um poema de Fernanda Botelho e ainda uma “Mixelândia” de vários poemas de vários autores portugueses com o mesmo tema: Lisboa. De forma muito efusiva e interpretativa, Lisboa, a menina luz foi aplaudida fortemente.
Voltando ao palco José Anjos declamou apenas poemas de sua autoria e começou com “Em tudo há momentos” ao som de “Verdes Anos” de Carlos Paredes e deu lugar a Viton Araujo.
Viton Araujo, trouxe a sua alma brasileira começando com “Os olhos dos outros são sanguessugas”, seguiu-se “A vossa tristeza”, “Aritimé”, “O poema mais chato do mundo”.
Foram distribuídos pelas mesas poemas, em tom de desafio ao público, para mais tarde ganhar coragem e enfrentar o palco, declamando os mesmos. Esta responsabilidade coube a três pessoas escolhidas do público e a viva voz fizeram ouvir “Cantilena” de Rui Costa, “Não tenhas medo do amor” de Maria Rosário Pereira e “Noite Plácida” de António Gedeão.
Foi uma noite muito saudável e “É bom ler em voz alta” palavras de André Gago que terminou a noite com o poema de Manuel Gusmão “Uma criança interrompida”.