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Terça-feira, 09 Fevereiro 2010
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O ano do Tua no DocLisboa

O Grande Prémio do júri do DocLisboa foi atribuido ao documentáro “Petition” de Zhao Liang.
Desde 1996 Zhao Liang tem vindo a filmar os peticionários que vêm de toda a China até Pequim para apresentar queixas dos abusos e injustiças cometidos pelas autoridades. Os peticionários vivem em abrigos improvisados durante meses ou anos até obter justiça. Um testemunho único sobre a China de hoje.

O documentário permiado na categoria de Melhor Primeira Obra estrangeira foi atribuido a “October Country”.
Este documentário relata-nos uma família disfuncional americana luta pela estabilidade enquanto é assombrada pelos fantasmas da guerra, pela gravidez adolescente e por um passado de assistência social e abuso infantil. “October Country” examina a violência que se esconde sob a superfície da vida americana.

O brilhante documentário “Pare, Escute e Olhe” de Jorge Pelicano, venceu nas categorias de Melhor Longa-Metragem nacional, Melhor Montagem e Melhor Filme Nacional. O documentário é sobre a contorversa linha do Tua.

Um documentário claro e com testumunhos fortes de quem se bate desde 1991 pelo não encerramento desta linha ferroviária que, para além de turística, é de extrema utilidade como transporte público para estes habitantes transmontanos.
Trata-se de uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra.
Em Dezembro de 1991 uma decisão política encerra metade da linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela. Passados 15 anos, essa sentença amputou o rumo do desenvolvimento, acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal. Agora, o comboio é ameaçado por uma barragem. “Pare, Escute e Olhe” é uma viagem através de um Portugal esquecido, vítima de promessas políticas oportunistas.
O documentário "Pare, Escute e Olhe" venceu a XV edição do Festival Internacional de Cinema Ambiente de Seia, CINEECO, arrecadando os três principais prémios do festival.

Na categoria de Investigação o premiado foi “The Revolution that Wasn´t de Aliona Polunina.
Rússia, 2007. Exactamente um ano antes das eleições presidenciais. Uma oposição radical está determinada a agir e a tomar o poder. Anatoly e Andrei são ex-revolucionários veteranos. Desde 1997, pertencem a uma organização política banida pelo Governo. Um filme que evidencia o naufrágio das ideologias sociais ou humanistas da ex-União Soviética.

O exemplar documentário “Hasta la Victoria” de Chris Guidotti e Matteo Besomi que nos relata de uma forma clara as dificuldades que os cubanos de classe media-alta passam ao pretenderem procurar uma vida melhor, recebeu o prémio de Melhor Documentário Estrangeiro.
Um jovem casal de médicos cubanos gostaria de deixar a ilha, pensando ter mais liberdade na Europa. Ela obtém uma autorização para estudar na Suíça, mas ele não consegue sair do país. Sentem a falta um do outro e trocam vídeo-cartas questionando os seus sonhos de realização tanto em Cuba como na Europa.


O prémio de Melhor Primeira Obra Nacional coube a Nicholas Oulman com o documentário “Com que voz”, que o Hardmusica anteriormente comentou  - veja aqui -.
Alain Oulman nasceu em Lisboa, no seio de uma família conservadora. Era um homem apaixonado por livros, por música e por Amália, com quem colaborou de forma muito próxima. Perseguido pelo regime de Salazar e mais tarde exilado em França, Alain Oulman parece ter vivido várias existências – todas elas brilhantes– que este filme nos permite finalmente conhecer.

O prémio de Melhor Média-Metragem Internacional coube ao filme “Mirages” de Olivier Dury, Jorge Léon recebeu o troféu com o filme “10 minutos” na categoria de Curta-Metragem Internacional, sendo a Nacional entregue a Aurora Ribeiro com o documentário “Passando à Zé de Marovas”.
O júri, presidido pelo cineasta Fernando Lopes, atribuiu uma menção honrosa a Sérgio Costa com o documentário “Entrevista a Almiro Vilar da Costa”.

Alguns dos filmes premiados voltarão a ser exibidos dua 25 na Culturgest, nos seguintes horários:

“Petition” no Grande Auditório pelas 21:00
“October Country” no Grande Auditório pelas 23:00
“The Revolution that Wasn´t" no Grande Auditório pelas 18:30
"Pare, Escute e Olhe" no Grande Auditório pelas 16:30
"Mirages" e "10 minutos" no Pequeno Auditório pelas 22:30



António Manuel Teixeira



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