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Domingo, 01 Agosto 2010
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Casa do desenhador Stuart de Carvalhais demolida

Acordei esta manhã com a notícia da demolição da casa de Stuart Carvalhais, na Alameda Conde de Almeida Araújo, em Queluz.

Fiquei abismado. Chocado.

Senti um vazio semelhante ao da demolição de parte do aqueduto que abastece o Palácio Nacional de Queluz, na fronteira com o concelho da Amadora.

Um sentimento de impotência semelhante ao que me suscita o abandono a que o parque infantil junto aos quatro caminhos está votado.

A tristeza semelhante à que senti quando foi demolido o cinema de Queluz.

Algo se passa de errado na cidade.

A situação daquele imóvel não era nova. com efeito, há já alguns anos que tinha sido decretada a sua sentença de morte, mas, confesso, na minha maior ingenuidade, que sempre pensei que um qualquer construtor civil, com dois dedos de testa, e no ano de 2009, não se desse ao trabalho de demolir uma moradia dos anos 40, com a agravante de ali ter morado um cidadão de queluz e de sintra com a dimensão de Stuart Carvalhais, e conseguisse preservar a memória do edifício, ocupando apenas o logradouro, num ensaio arquitectónico já testado em outros locais.

Pensei também que o presidente da câmara municipal de Sintra, que detém o pelouro do urbanismo e da reabilitação urbana, hábil e testado negociador, conseguisse demover o proprietário dos seus objectivos, e o fizesse ver que, mais do que ganhar uns milhares de euros com a venda de dez ou doze apartamentos, do que a cidade de Queluz necessitava era de edifícios como aqueles, que comprovassem que Queluz tem um passado recente importante, não sendo necessário recuar ao século xviii. porque a cidade de Queluz não é só o Palácio Nacional.

Mas não. enganei-me. Redondamente.

Estou triste, confesso. Queluz não merecia ser atacada desta forma.

Que município é este que não sabe salvaguardar e preservar a sua memória?

Que cidade é esta que não se une para evitar crimes como este?

José Herculano Stuart Torres de Almeida Carvalhais (1887-1961) foi um extraordinário pintor e desenhador humorístico, tendo colaborado nos periódicos sempre fixe, os ridículos ou no diário de notícias, para além de outras revistas e jornais.

À época, referências como sendo um “extraordinário desenhador da Imprensa Portuguesa do seu e de todos os tempos, igualando os melhores artistas contemporâneos do mundo" não eram de espantar, o que levou a que, em 1949, os seus dotes lhe tivessem valido o prémio domingos sequeira.

Não sei se por defeito ou feitio, mas tenho perseguido os desenhos de Stuart Carvalhais em muitos dos leilões que se vão realizando no nosso país, umas vezes com sucesso, outras com menos sucesso, porque os valores disparam para montantes que não estou disposto a desembolsar. com que objectivo? Talvez para que um dia, quando alguma alma caridosa olhar para a cidade com atenção e perceber que aqui se pode instalar um museu regional, uma casa saloia, ou qualquer outra instituição do género, seja possível reunir um núcleo de obras do Stuart, disponíveis a todos. como, aliás, se fez na Amadora, com a Casa Museu Roque Gameiro.

Talvez. um dia. quem sabe.

Bruno Ribeiro Taveres (texto e fotos)







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