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Terça-feira, 07 Setembro 2010
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Classificação da linha do Tua não interfere com futura barragem - Canavilhas

O processo foi desencadeado por um requerimento subscrito por mais de uma centena de pessoas ligadas ao mundo artístico, cultural, político e à “luta do Tua” e seguiu-se a uma petição com mais de cinco mil assinaturas com o mesmo objectivo que não teve sequência na Assembleia da República.
À margem da inauguração do Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, declarou aos jornalistas que o procedimento “não vai interferir em nada com a barragem”.
“É uma garantia que podemos dar”, declarou a ministra, explicando que aquele procedimento é “absolutamente normal” e que “ainda sem sequer começou oficialmente”.
Contudo, esclareceu que “independentemente do resultado”, o processo do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) relacionado com a classificação da linha do Tua, não irá impedir a construção da barragem
O concurso para a construção da barragem já foi lançado, estando prevista para Outubro a entrega de propostas.
A EDP prevê arrancar com as obras antes do final do ano, embora ressalve que estes procedimentos nunca avançarão antes da aprovação do RECAPE - Relatório de Conformidade Ambiental - que se encontra em discussão pública até 06 de Agosto e que decidirá o impasse entre a linha e a barragem.
Os defensores da linha do Tua consideram, no entanto, que a abertura da classificação da ferrovia transmontana deve travar a construção da barragem.
“Esta abertura do procedimento garante um conjunto de direitos ao património em causa. Desde logo, a suspensão de processos de licenciamento. Previne que o bem que ali está, até à decisão final, tem de ser protegido por todos”, esclareceu à Lusa Francisco Madeira Lopes, do Partido Os Verdes, que assinou o documento a pedir a classificação.
O Primeiro-Ministro José Sócrates considerou que a construção do Museu do Côa é uma “gravura” para o futuro”.
“Este museu é a gravura que nós deixamos às futuras gerações”, declarou Sócrates na sessão inaugural do equipamento cultural que custou cerca de 18 milhões de euros.
José Sócrates, acompanhado pelas ministras da Cultura e do Ambiente, também afirmou que o novo museu “vai servir a cultura nacional” e é “um hino ao respeito pela memória, pela arqueologia, mas também uma afirmação de modernidade e de contemporaneidade e é isso que se esperava deste museu”.
O responsável considerou o museu “bonito”, “sofisticado” e com uma arquitectura “excelente”, observando que a obra foi lançada desde que está no Governo.
“São raras as oportunidades que um político tem de lançar uma obra e de depois estar presente, ainda, quando a obra se inaugura. E eu tive essa felicidade”, afirmou.
A ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, concordou com o Primeiro-Ministro e salientou que cada um dos marcos deixados por decisões estratégicas do Governo “são claramente gravuras que ficam impregnadas e na memória e na utilização diária dos cidadãos”.
Gabriela Canavilhas disse também que as obras realizadas pelo Governo em torno das gravuras do Côa “são o reflexo do que é o investimento público para o interesse público dos cidadãos”.
Já no seu discurso, admitiu que o museu irá “posicionar Foz Côa na região, no país e no mundo”.
Durante a cerimónia inaugural, o presidente da Câmara de Foz Côa, Gustavo Duarte (PSD), disse que o museu será uma “âncora” para o desenvolvimento da região, sendo “uma mais valia para o município, a região, o país e o mundo”.
Gustavo Duarte aproveitou a presença do Primeiro-Ministro para reclamar outros projectos que complementem o museu.
O autarca reclamou ainda a beneficiação da estrada de ligação entre Foz Côa e Barca d´Alva, a activação da linha férrea de Barca d’Alva e a construção de um parque temático sobre o paleolítico e a história do homem.
Em resposta, Sócrates recordou que o Governo já está a construir o IP2 e a executar outras obras rodoviárias no distrito de Bragança que também servem a região Norte do distrito da Guarda, considerando que a região “está a ter um nível de investimento público” de que não há memória nos últimos 50 anos.
“Eu gostaria que primeiro fizéssemos estas obras e depois pensássemos no futuro”, disse Sócrates.
O museu estende-se ao longo de quatro pisos que englobam auditório, serviço educativo, área administrativa, loja e salas expositivas.
Abriu as portas 15 anos depois da polémica que suspendeu a construção da barragem devido aos protestos de ambientalistas e de especialistas em arte rupestre.
(ES)






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