Teatro Oficina festeja a obra de Raul Brandão em Guimarães

Teatro Oficina festeja a obra de Raul Brandão em Guimarães

Teatro Oficina festeja a obra de Raul Brandão em Guimarães D.R.

De 08 a 12 de março, a cidade de Guimarães é palco para várias actividades e espectáculos dedicados à vida e obra de Raul Brandão, no aniversário que marca os 150 anos do seu nascimento.

Todo o teatro de Raul Brandão será apresentado numa grande Festa que envolve 13 Grupos de Teatro de Amadores do concelho, os finalistas da Licenciatura em Teatro da Universidade do Minho e os alunos das Oficinas do Teatro Oficina. Pela primeira vez, (quase) toda a família teatral de Guimarães estará reunida com o seu público para conhecer, discutir, representar e ver o teatro completo de um autor assombrado.

“O Teatro Oficina, em parceria com o Húmus – Festival Literário da Câmara Municipal de Guimarães, convoca a cidade para uma celebração em torno de um autor que escolheu Guimarães como sua casa.”, refere a nota de imprensa

“A Festa de Teatro Raul Brandão irá juntar mais de 150 actores e actrizes, que se reúnem com o seu público em torno de um evento ímpar, que enaltece uma malha criativa vibrante da cidade.”, lê-se na mesma nota

Associam-se também a Sociedade Martins Sarmento, que tornará acessivel o espólio do autor, e o Cineclube de Guimarães, nas suas habituais sessões de cinema ao domingo.

A Bando À Parte, também obcecada por Raul Brandão, filma a Festa para memória futura. Para abrilhantar o evento, foram convidados livreiros e alfarrabistas de Guimarães para tirar da estante todo o teatro e o “Cor de Tangerina e o Círculo de Arte e Recreio para nos darem petiscos redentores”. Entre espectáculos, leituras, comes e bebes e filmes celebram-se os 150 anos de Raul Brandão como deve ser, com alma e em festa.

A Festa arranca no dia 08 de Março e é o próprio Teatro Oficina a abrir as hostes com a estreia da sua mais recente criação, “Teatro da Alma”, uma peça de dor e de sonho a partir de Raul Brandão, que terá lugar no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), pelas 22:00.

A partir de cenas de três peças: “A Noite de Natal” (1899), “O Gebo e a Sombra” (1923) e “O Avejão” (1929), nasce uma ficção quase metafísica e nada aleatória.
Cenas e personagens de peças diferentes parecem responder umas às outras, dando voz aos temas principais da obra de Raul Brandão: a natureza do homem, os seus fantasmas e duplos, a relação com a morte, a falta de redenção, a vontade de viver, as sombras... Ainda antes do Teatro Oficina entrar em cena neste primeiro dia da Festa, que é igualmente o Dia Internacional da Mulher, a cantautora Rita Redshoes, pelas 21:00, naquele mesmo palco falará sobre o processo de escrita e composição das músicas que compõe o seu reportório, traçando o percurso de 20 anos de carreira, iniciados em 1996.

No dia seguinte, pelas 22:00, o teatro viaja até à ‘casa’ do Raul Brandão, onde estão os seus cadernos e notas inacabadas de teatro.

A Festa estende-se, assim, à Sociedade Martins Sarmento, local onde o Teatro Oficina e os alunos do 3º ano da Licenciatura de Teatro da Universidade do Minho apresentam “Um Sonho Adiado”, a partir de diálogos inéditos do espólio do escritor.

Na sexta-feira, pelas 21:30, o Festival Literário Húmus, iniciativa da Câmara Municipal de Guimarães, junta-se à Festa de Teatro Raul Brandão com uma sessão imperdível. O palco do Grande Auditório do CCVF serve de cenário para uma conversa sobre os temas que percorrem toda a obra brandoniana – família e amigos, Portugal, a vida e a morte, esfera privada e pública –que passará além dos livros.

Este momento conta com a moderação do jornalista e escritor Francisco José Viegas e os convidados Álvaro Laborinho Lúcio (jurista, professor universitário, ex-Ministro da Justiça e escritor português) e Abraão Vicente (Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, sociólogo de formação com percurso ligado ao jornalismo, à escrita e às artes plásticas).
Na mesma noite, pelas 22:30, a Festa prossegue no Pequeno Auditório do CCVF com a apresentação do espectáculo “O Maior Castigo” (1902) pelas mãos do grupo de teatro amador ATRAMA, colectivo desafiado que foi a dar vida a esta que é uma das peças perdidas de Raul Brandão.

O fim de semana de 11 e 12 de Março traz uma nova dinâmica à Festa e o teatro não vai parar durante dois dias.

No sábado, pelas 15:00, “O Gebo e a Sombra” (1923) chega ao Grande Auditório do CCVF com o carimbo do TEC – Teatro Experimental do Cano, chamando o público a sentar-se no palco para assistir ao espectáculo. Pelas 16:30, a Festa de Teatro passa também pelo Café Concerto do CCVF com a peça “A Pedra ainda espera dar Flor”, a partir das Crónicas de Teatro (1895-1923), apresentado pelo CETE – Convívio e Teatro Experimental.

Pelas 18:00, de regresso ao Pequeno Auditório, chega a vez do Teatro Coelima e do grupo Jovidém subirem ao palco com “O Doido e a Morte” (1923).
O sábado termina com um projecto que envolve vários grupos de teatro de amadores num grande espectáculo apresentado na sala maior do CCVF, pelas 22:00. “Jesus Cristo em Lisboa” (1927), com Teixeira de Pascoaes, junta no mesmo palco o Grupo de Teatro Citânia, o Cem Cenas, o Grupo de Teatro da ADCL, o Grupo de Teatro de Campelos e o Grupo de Teatro da ARCAP.

A Festa de Teatro Raul Brandão encerra no dia 12, domingo, em grande espírito de celebração Pelas 11:00, o teatro sai à rua e leva ao Largo de Donães os alunos das Oficinas do Teatro Oficina, que aqui apresentam “Árvore da Vida Rauliana”, uma peça que integra excertos de “Húmus” (1966), do poeta Herberto Helder. De tarde, o teatro instala-se novamente no Centro Cultural Vila Flor, onde se mantém bem vivo até terminar a Festa.

Pelas 15:00, a programação prossegue no Grande Auditório do CCVF com o TERB – Teatro de Ensaio Raul Brandão a apresentar “A Noite de Natal”, com Júlio Brandão, num espectáculo que junta, uma vez mais, público e artistas em cima do palco. À tarde, pelas 16:30, o teatro sai para os jardins do Palácio Vila Flor com a Astronauta Associação Cultural a apresentar as peças “O Rei Imaginário” (1927) e “Eu sou um Homem de Bem” (1923).
O grupo Osmusiké fecha a maratona de teatro pelas 18:00, no Pequeno Auditório do CCVF, com “O Avejão” (1929). Pelas 21:45, o Cineclube de Guimarães encerra este intenso programa com uma sessão de cinema em torno de Raul Brandão.

Na sexta-feira, das 19:00 às 22:00, e no sábado e domingo, das 13:00 às 22:00, a praça do Centro Cultural Vila Flor estará habitada por uma Feira do Livro que junta livreiros e alfarrabistas de Guimarães para tirar da estante todo o teatro, acompanhada por duas barracas de Comes e Bebes com a marca do Cor de Tangerina e do Círculo de Arte e Recreio, assegurando o convívio, a leitura e um brinde ao aniversário de Raul Brandão antes e entre os espectáculos.

terça, 14 Nov. 2017 10:00 – domingo, 31 Dez. 2017 17:00
Campo Grande 245, Lisboa, Lisboa

terça, 14 Nov. 2017 10:00 – domingo, 17 Dez. 2017 18:00
Campo Grande 245, Lisboa, Lisboa

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