“Alexandre Cabral (1917-1996) Vida e obra de um resistente” no Museu da Resistência

segunda, 10 julho 2017 01:47 Escrito por 
“Alexandre Cabral (1917-1996) Vida e obra de um resistente” no Museu da Resistência D.R.

Alexandre Cabral (1917-1996): Vida e Obra de um Resistente é a exposição que estará patente até 21 de Outubro na Sala de referência do Museu da Resistência em Lisboa

[Retrato de Alexandre Cabral] Memórias de um Resistente (1970) foi o título dado por Alexandre Cabral à “narrativa romanceada” que cobre autobiograficamente os tempos da I República e os anos do Salazarismo em que viveu até à data de publicação da obra. Foi de facto o tempo de um resistente, nas letras e na cidadania, em que não escapou à prisão política.


Pseudónimo literário de José dos Santos Cabral, o escritor, novelista e investigador nasceu em Lisboa a 17 de Outubro de 1917 e aí veio a morrer em 21 de Novembro de 1996, deixando uma vasta obra de camilianista vigoroso e conceituado, hoje mais conhecida, mas também autor de romances, novelas e contos.


Em criança, frequentou a escola dos Pupilos do Exército que abandonou aos 15 anos para trabalhar, exercendo várias profissões. Mas, aos dezanove anos, deu os primeiros passos nas letras, ao fundar e dinamizar vários jornais juvenis a que deu colaborações entre 1936 e 1940, usando com frequência o pseudónimo Z. Larbak, ainda presente nos primeiros livros desse período.

Neste percurso, foi ao encontro de outros jovens que deram então início ao movimento neorrealista, escrevendo o seu primeiro livro de contos, “O Sol Nascerá um dia” (1942).


Amigo de longa data do escritor Sidónio Muralha, com ele emigrou Alexandre Cabral para vários pontos de África, em especial para o Congo, regressando ao fim de três anos, vindo a publicar Contos da Europa e da África (1947) e Histórias do Zaire (1956), além do romance Terra Quente (1953) e outro, já com temática regional portuguesa, Fonte da Telha (1949). Atinge a maturidade literária com os romances Malta Brava (1955) e Margem Norte (1961), de permeio uma obra de teatro, As Duas Faces (1959). Grande parte destas obras foram ilustradas por artistas como Ribeiro de Pavia, José Dias Coelho, Júlio Pomar, Figueiredo Sobral e Rogério Ribeiro.


Entretanto, inicia os estudos camilianos sob estímulo de outro amigo íntimo, Augusto da Costa Dias, então director literário da Portugália Editora, onde Alexandre Cabral começa a publicar os seus primeiros trabalhos, como As Polémicas de Camilo, 4 vols. (1962-70).


Como estudioso e editor do escritor oitocentista ou com ele e a sua época relacionada, deixou vastíssima obra de largas dezenas de volumes, incluindo conferências em Portugal e no estrangeiro, que desembocaram no incontornável Dicionário de Camilo Castelo Branco (1989).