"Biografia de um poema" de Carlos Drummond de Andrade no Teatro do Bairro

"Biografia de um poema" de Carlos Drummond de Andrade no Teatro do Bairro

"Biografia de um poema" de Carlos Drummond de Andrade no Teatro do Bairro D.R.

"Biografia de um Poema" sobe ao palco do teatro do bairro a 13 de Setembro, com encenação de António Pires.

NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.

Publicado pela primeira vez na Revista de Antropofagia em 1928.

Um poema de dez versos, que na realidade se reduzem a três - pois repete muitas vezes umas poucas palavras - foi escrito em 1924 por Carlos Drummond de Andrade, na altura um jovem desconhecido. Hoje, no Brasil, todos conhecem a "Pedra no Meio do Caminho". Foi discutido, parodiado, elogiado, atacado, interpretado e louvado até ser espontaneamente incorporado na vida quotidiana brasileira. Nunca nenhum outro poema provocou até hoje tamanha avalanche de reações, comentários e opiniões tendo sido, inclusivamente, traduzido para inúmeras línguas. Quarenta anos depois, o já ilustre Carlos Drummond de Andrade, reuniu em livro os acontecimentos mais marcantes que envolveram este que é, afinal, o poema mais discutido do modernismo literário brasileiro: "Colecionei e publiquei tudo o que se escreveu sobre a pedra no caminho, pró e contra, claro que na maioria contra - 'A pedra é um símbolo! É uma besteira! Genial! Idiota!' - Afinal: ficou divertidíssimo". A este livro, publicado em 1967, chamou "Biografia de um Poema".

Foi a partir das histórias compiladas pelo próprio autor neste "livro divertidíssimo" e tendo como referência também outros textos, autores e obras do período modernista brasileiro, que António Pires construiu o seu espectáculo, com um elenco de actores brasileiros (Cassiano Carneiro e Chico Diaz) e uma actriz portuguesa (Rita Loureiro).

"Logo que li o livro, a identificação com o meu trabalho foi imediata", diz o encenador. "Tantos anos depois do modernismo, ainda se tenta entender tudo, ainda há quem pense no teatro como uma história com princípio, meio e fim, ainda se procura nele um paralelismo com a vida real". Este espectáculo, muito lúdico e divertido, é uma provocação e um desafio a essa compreensão. Recusa-se a narrativa tradicional e regressa-se a um caminho mais livre, abstracto e fragmentado, primário mas também futurista, onde as imagens, movimentos e composições nos oferecem um universo emocional comovente e único, apenas possível no teatro e na própria arte.

Adaptação e dramaturgia: António Pires e Hugo Mestre Amaro
Encenação: António Pires
Com: Cassiano Carneiro, Chico Diaz e Rita Loureiro

terça, 14 Nov. 2017 10:00 – domingo, 31 Dez. 2017 17:00
Campo Grande 245, Lisboa, Lisboa

terça, 14 Nov. 2017 10:00 – domingo, 17 Dez. 2017 18:00
Campo Grande 245, Lisboa, Lisboa

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