Companhia de Teatro de Almada leva à cena peça de Arthur Miller, “Morte de um caixeiro viajante”

Companhia de Teatro de Almada leva à cena peça de Arthur Miller, “Morte de um caixeiro viajante”

Companhia de Teatro de Almada leva à cena peça de Arthur Miller, “Morte de um caixeiro viajante” CTA

A Companhia de Teatro de Almada estreia dia 13 de Abril um clássico da dramaturgia americana, “Morte de um caixeiro-viajante” de Arthur Miller, com encenação de Carlos Pimenta.


O espectáculo conta com Ivo Alexandre no papel de Willy Loman e estará em cena de 13 de Abril a 06 de Maio, de quinta a sábado pelas 21:30, quartas e domingos pelas 16:00.

Deste Caixeiro Viajente que encenou, diz Carlos Pimenta:

O drama social e familiar por que passa Willy Loman não é culpa da sua bizarria, excentricidade ou incompetência. É fruto daquilo a que se chamam "efeitos colaterais". Ao perder o emprego – embora cheio de vontade de trabalhar - Willy dá conta de um outro mundo que passa por si e não se detém à sua espera.

Willy (o homem) vê-se dispensado desse mundo que o transforma num outro Willy (o número).

Mas qual a culpa de Willy? A sua falta de competitividade? A sua desadequação face ao presente?

Nesta peça que ocorre – diz o autor – na América do final dos anos 40 do século passado, ficamos com a amarga sensação de nos termos cruzado ainda ontem com personagens semelhantes. Ficamos, também, com a sensação, ainda mais amarga, de que esse não terá sido o nosso derradeiro encontro com as histórias que elas encerram.

Em Morte de um caixeiro-viajante as sensações que vamos tendo devemo-las à mestria de Arthur Miller, que tão bem soube construir as histórias de vida da família Loman e dos que com ela se relacionam, para o bem e para o mal.

As coisas mudam, diz um outro notável americano (David Mamet) no seu filme de 1988. Como nos apeteceria, muitas vezes, que muitas das mudanças se ficassem somente pelo cinema ou pelo teatro. Mas aí estaríamos a negar a função destas formas de arte e a capacidade que têm de nos devolver o real para que o possamos questionar. É por isso que continuamos a ir ao cinema ou ao teatro. É por isso que aceitamos esta espécie de indistinção entre ficção e realidade. E é, também, por isso que admitimos que Willy Loman possa, eventualmente, estar sentado ao nosso lado.”


Arthur Miller (1915-2005) é um dos mais carismáticos escritores norte-americanos, autor de peças de teatro, romances e até de um argumento cinematográfico, especialmente concebido para a sua segunda esposa: Marilyn Monroe.

As suas primeiras peças datam da sua passagem pela Universidade de Michigan. “Morte de um caixeiro-viajante”, surgida em 1949, consagrou-o como dramaturgo e valeu-lhe o Prémio Pulitzer. Miller recebeu também, por duas vezes, o New York Drama Critics Award.


Carlos Pimenta já encenou mais de duas dezenas de espectáculos de autores como Beckett, Ibsen, Racine, Handke, Mamet, Mishima ou Marguerite Duras, nas principais salas do País.
Para a CTA dirigiu “Variações à beira de um lago”, de David Mamet (2008), e “Dois homens”, de José Maria Vieira Mendes (2009). Para além da sua actividade como encenador, é professor na Universidade Lusófona.


Interpretam esta peça de Miller, encenada por Carlos Pimenta Beatriz Godinho, Diogo Branco, Diogo Freitas, Ivo Alexandre, João Farraia, João Tempera, Lígia Roque, Luís Gaspar, Pedro Walter, Sofia Marques e Tiago Sarmento

A tradução é de Ana Raquel Fernandes e Rui Pina Coelho e a Cenografia Carlos Pimenta e João Pedro Fonseca

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