Ana Moura levou Coimbra aos fados

Ana Moura levou Coimbra aos fados

Ana Moura levou Coimbra aos fados MCrespo

Ana Moura é uma das mais internacionais e bem-sucedidas fadistas portuguesas. Em Coimbra mostrou a razão de contar no seu palmarés com cerca de meio milhão de discos vendidos, mais de uma dezena de galardões e prémios tão importantes como dois Globos de Ouro, dois prémios Amália e um prémio da Sociedade Portuguesa de Autores.

Ainda as cortinas estavam fechadas quando a voz da fadista ecoou pelo Auditório do Convento de São Francisco. Faz-se silêncio. “Na palma da mão” foi o tema que deu inicio a quase hora e meia de espectáculo. “Ninharia” e “Guarda-me a vida na mão” foram cantados de uma assentada só. Ana Moura saudou o público com um “boa noite Coimbra” e agradeceu as duas datas esgotadas (3 e 4 de Novembro) com que a cidade a brindou. Depois dos espectáculos de verão ao ar livre, o regresso às salas ofereceu-nos um concerto mais introspectivo.

A primeira grande salva de palmas da noite foi para o solo de guitarra portuguesa de Ângelo Freire em “Porque teimas desta dor” e marcou o momento de viragem no espectáculo com uma participação mais entusiasta do público. “Fado dançado” fez juz ao nome mas foi “Dia de folga”, o tema do CD Moura que valeu a Ana Moura o Globo de Ouro 2016 na categoria de Melhor Música, que elevou o entusiasmou a plateia.
“Cada dia é um bico d’obra / Uma carga de trabalhos faz-nos falta renovar / Baterias, há razões de sobra / Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga / É dia de folga!”; estava ensaiado com a letra na ponta da língua.

A noite continuou com “No expectations”. Que tal como Ana Moura referiu, foi uma das raras vezes que cantou, em Portugal, este tema resultante de uma colaboração com os Rolling Stones. Admiradora confessa de Amália Rodrigues, não podiam faltar “Sou filha das Ervas” e “Valentim” temas já habituais desta tournée e do agrado do público que os acompanhou com palmas logo aos primeiros acordes e não mais parou até final do concerto. “Desfado”, um dos temas mais esperados da noite estava guardado para o final. Um fado de 2012 que deu nome ao álbum e marcou a viragem na carreira de Ana Moura com mais de 100 mil cópias vendidas. É um dos maiores êxitos da música portuguesa chegou a quíntupla platina e esteve no Top 10 de vendas nacional mais de cem semanas.

Ana Moura apresentou os músicos que a acompanharam; Ângelo Freire (guitarra portuguesa, Pedro Soares (viola de fado, André Moreira (baixo, João Gomes (teclado) e Mário Costa (bateria e percussão; e agradeceu com um “muito obrigada Coimbra”.

Os pedidos do público obrigaram ao encore da praxe, para o qual estava guardado “Sou do fado” e o regresso a Amália Rodrigues com o “Fadinho Serrano”, pondo em evidência a mestria do dedilhar de Ângelo Freire. Já passava das 23:30m quando se acenderam as luzes e abriram as portas da sala, dando por terminado o concerto.

Ana Cláudia Moura Pereira , feita Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique, a 27 de Janeiro de 2015, teve as primeiras actuações ainda adolescente com os Sexto Sentido, uma banda de covers de pop/rock, mas foi o fado que a consagrou e que sempre foi o dono do seu coração.

Nota da Direcção
O Jornal Hardmusica tem sempre por parte da Sons em Trânsito, responsável pelo agênciamento da artista, recusa em fazer reportagem. Tivemos acesso ao espectáculo por convite, que aproveitamos para fazer a reportagem da fadista e do seu espectáculo.

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