Recriação da Batalha do Vimeiro tem "importância histórico-cultural para o país"

domingo, 16 julho 2017 02:02 Escrito por 

A vila do Vimeiro recriou na noite de 15 de Julho a Batalha contra as tropas napoleónicas, que foi vencida em 21 de Agosto de 1808.

No âmbito da Recriação Histórica da Batalha do Vimeiro, que decorre na vila termal até dia 16 de Julho, foi possível assistir à sua explicação com actores locais.

No Centro de Interpretação, foi apresentada uma recriação encenada que despertou a curiosidade de muitos. Pois foi interpretada três vezes, dada a afluência dos espectadores.

Após a primeira sessão falámos com alguns dos espectadores, que se mostraram satisfeitos com o que viram. Joana, estudante, disse ter gostado "bastante desta explicação, pois assim fica mais na memória". Também Marco, estudante referiu que "se fosse sempre assim em vez de levarmos seca dos professores, tudo era muito mais fácil". Maria das Dores, doméstica, explicou que "já vi isto algumas vezes, mas como eles explicam sempre muito bem, venho sempre", acrescentando que "os miúdos da escola deviam vir aqui, pois aprendiam um pouco mais do que os nossos antepassados passaram". O seu marido, José, reformado "das obras e da vida", afirmou ser "importante perceber como andavam aos tiros no tempo dos Reis". Vinda do concelho vizinho, Torres Vedras, Maria José explicou "esta forma de contar a história de Portugal, faz com que se tenha gosto pela mesma". Também Mário, empresário, disse "ser muito importante ver pessoas de várias idades a interpretarem a história de Portugal", destacando "a importância histórico-cultural para o país".

Durante a tarde foi possível assistir a manobras militares livres, desenvolvidas pelos grupos de recreadores. Temos a salientar a falta de informação por parte dos vigilantes contratados, pois não estavam informados que existiam jornalistas e que os mesmos estavam autorizados a estar numa área diferente do público. Situação que se voltou a verificar, mais tarde, no decorrer da Recriação da Batalha do Vimeiro.

O concerto do Coro Municipal foi muitas vezes interrompido pelos disparos dos canhões, nas manobras militares, que acontecia nas traseiras do espectáculo. Também o ensaio de som da Orquestra de Sopros e Percussão do Oeste, aconteceu no mesmo horário da actuação do coro. Mas a qualidade do mesmo foi superior a todos estes imprevistos, fazendo com que o público não arredasse pé e se juntasse cada vez mais. O concerto começou com o Hino de França e terminou com o Hino Nacional. No final do concerto o Vice-Presidente foi "pedir desculpas por estes imprevistos", ao Maestro.

O aguardado Baile Oitocentista atrasou cerca de quarenta minutos, durando apenas 20. Alguns dos espectadores descontentes disseram "tanto tempo à espera para ver só isto", "podiam ter dançado mais", "esperámos este tempo e depois só temos direito a uma amostra" e "queríamos mais, nem que fosse para compensar o tempo de espera".

Pelas 22:00 chegou o momento mais esperado de todo o dia, a Recriação da Batalha do Vimeiro. Foi uma estreia fazerem-na no campo, pois nos dois anos anteriores era só feita na igreja. Durante mais de uma hora alguns milhares de pessoas assistiram ao espectáculo feito por cerca de 150 recreadores. Houve um incidente que fez com que o mesmo fosse interrompido, "um dos homens colocou duas cargas na arma, mas como só pode levar uma o disparo foi muito grande e magoou-o. A ambulância teve de intervir de imediato, pois ele ficou mal", explicou-nos Sérgio, um dos recreadores. Também nos explicou que "aqui, no Vimeiro, é um ensaio para aquela que é a mais importante de todas, a de Almeida. Lá são cerca de 500 recreadores, com cavalos, canhões, armaduras, etc". Durante o espectáculo a historiadora Ana Bento foi explicando o que se estava a passar no terreno para que todos pudessem perceber as movimentações que estavam a ocorrer. Para o público foi "um espectáculo bonito"; "uma grande confusão"; "difícil de se ver"; "feito num local pouco apropriado, pois não tínhamos visão para o que se estava a passar" e "muito elucidativo, porque depois de ter visto os outros lá em cima [Recriação encenada], foi um complemento muito importante". O Presidente da Associação de Turismo Militar, Álvaro Covões, não esteve presente. Segundo a autarquia, na pessoa do Vereador do Turismo, "não veio nem enviou nenhum representante".

A finalizar a noite foi a vez de actuar a Orquestra de Sopros e Percussão do Oeste, em que os dois cantores "assassinaram" os temas que foram tocados. A desafinação de ambos foi muito grande, em todos os temas.

Como no dia anterior estiveram os malabaristas de fogos, acompanhados pela banda Manuk, seguido de um curto espectáculo de pirotecnia.

O último dia da comemoração da Batalha do Vimeiro terá uma homenagem aos mortos em combate, pelas 10:00, junto ao Monumento do primeiro centenário, seguido de meia hora de manobras militares livres desenvolvidas pelos grupos de recriadores.

A Recriação histórica com combate pelas ruas da Vila e assalto à igreja, era realizado na segunda noite. Neste terceiro ano a organizaão decidiu que será no último dia pelas 12:00. Pelas 15:00 no Centro de Interpretação realizam-se os Jogos de Guerra e um Workshop de pintura de miniaturas do período Napoleónico. Uma hora depois o Rancho Foclárico Clibotas interpretará "A Desfolhada".

Pelas 17:30 os Manuk e os ZaraGaitas darão um concerto. O dia termina pelas 19:00 com o arrear das bandeiras.

Modificado em domingo, 16 julho 2017 12:05